morte
Vida
de esquina
a vista da janela
lua desgraça
tumulto opaco
massa de antenas mudas
comichão no indizível
é hora de prazear
camisa Hering
o pólo de solidão
a pele com fendas
perfuma-se na primeira marcha
um parque sem raízes
destino da grana na carteira
pouco verde-vivo
para os donos de camas sós
mais trinta e três flexões
católico de vinte e poucos
anos e centímetros
gel no liso cabelo longo
barba por fazer
palavras ralas
desejo acertado
economia de gestos e carícias
dois desafinados no afeto
primeira gemidor
respingos no toca-CDs
de um vermelho violento
a mão antes sexo
a mão agora despedida
olhos verdes
esbugalhados
somem o viço
silêncio espera George Michael enfermeiro
carteira desossada
notas esquálidas
fotos família infância
memória do longe
do tapa
rosto
pra lá
pai filho meu
nunca
viado
volto
visão turva
Fiat zero
volante manchado
mão esquerda
dedo esquerdo
ainda a marca
aliança
corre puto de filho
mais rápido
até o esconderijo dos perdidos
garoupa na coroa
pra que isso agora?
peixe nesse azul safado
pega no papel
deixa no seu epílogo
digitais quase defuntas
últimos segundos
termino assim
nada sentindo assim
morte e
vida
R$ 100,00
gozo
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