quarta-feira, 28 de outubro de 2009

morte
Vida
de esquina


a vista da janela
lua desgraça
tumulto opaco
massa de antenas mudas


comichão no indizível
é hora de prazear
camisa Hering
o pólo de solidão
a pele com fendas
perfuma-se na primeira marcha


um parque sem raízes
destino da grana na carteira
pouco verde-vivo
para os donos de camas sós

mais trinta e três flexões
católico de vinte e poucos
anos e centímetros
gel no liso cabelo longo
barba por fazer

palavras ralas
desejo acertado
economia de gestos e carícias
dois desafinados no afeto
primeira gemidor

respingos no toca-CDs
de um vermelho violento
a mão antes sexo
a mão agora despedida

olhos verdes
esbugalhados
somem o viço
silêncio espera George Michael enfermeiro

carteira desossada
notas esquálidas
fotos família infância
memória do longe

do tapa
rosto
pra lá
pai filho meu
nunca
viado
volto

visão turva
Fiat zero
volante manchado
mão esquerda
dedo esquerdo
ainda a marca

aliança
corre puto de filho
mais rápido
até o esconderijo dos perdidos

garoupa na coroa
pra que isso agora?
peixe nesse azul safado
pega no papel
deixa no seu epílogo
digitais quase defuntas

últimos segundos
termino assim
nada sentindo assim
morte e
vida
R$ 100,00
gozo

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