Proposta: Durante 15 minutos ouvimos uma música de inspirações celtas e precisavámos escrever um texto no calor da hora.
Passava por uma cidade de poucas sombras, em um entardecer ao som de aves desorientadas. Ele, alto, um pouco corcunda, um pouco insatisfeito com os descaminhos do porvir apático. Mirava-o, sensível a cada passo desigual, ora firme, mas sempre desencatado. Adiante um pequeno grupo de idosos sorridentes encarava uma garota vestida de forma liberta de convencões têxteis e morais. O preto prevalece, em suas mãos sujas um tarô de cartas surradas. Com olhos exaustos da vida, se aproxima do rapaz de expressão incerta. "Qual é o seu futuro?", indaga. "Percorrer, sem correr", responde sem estranhar a inversão da pergunta o jovem estrala os dedos compulsivamente. A taróloga não alonga aquela conversa de pitadas surreais, os senhoras pararam de sorrir, mas os pássaros continuavam inquietos, sem direção. Ao cair da noite, um silêncio perturbador, aquele passante perdido, poucas palavras continuava de cabeça baixa, olhando fixamente a areia úmida, que já deve ter sido reluzente em outros verões.
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