Proposta: Em pouco mais de 10 minutos tinhamos que ficar de mãos dadas com o colega do lado, pessoa totalmente desconhecida. Veja o resultado dessa experiência.
Ser mãos atadas
Mão sem identidade, sem um dono de quem eu conheça os mais doloridos segredos. Lembrei, sei que são colocadas massa ou será que são no dinheiro do caixa? Mãos, dedos, esse toque desconhecido, o que será que a outra mão articula? Porque tantas interrogações, minha mão está dormente, vontade alucinada de ser também destro. Exercício..., toca o celular, não posso inutilizar minha mão, malditos aparelhos tecnológicos. Para de pensar em tua mão, a outra que te interessa, mas afinal as mãos são tão diferentes em suas igualdades. Quantas histórias passaram por esses dedos que inesperadamente agora estão unidos aos meus. Ao levantar jamais imaginei...mãos, grandes feitos e muitas guerras foram efetivadas pela força delas. Meu braço dói cada vez mais, será que escrever sobre a mão alheia traz novos significados para a trajetória de minha mão? Mão solitária, mão de traços fortes. Sem mão, quero minha mão de volta, repousá-la no conforto da insegurança de uma mão supostamente pouco utilizada. OK, volto a pensar nessa mão, minhas mãos suam, agora sinto um pudor quanto a isso, mão livre, de voltar a seu lugar de origem, um vácuo no espaço, algo inusitado para tempos de mãos ardorosamente separadas, mão de pedir, de receber, de acolher, de entreter, de dar prazer, a mão do adeus.
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É, Rô, tocar as mãos sempre foi um gesto presente entre nós, chego a lembrar da pele suave e branquinha, cada dia com uma intensidade diferente, às vezes gelada, outras fervente, até o suor frio já me disse muita coisa. Toques de carinho, apoio, aperto de mão como um puxão de orelha, ou uma simples forma de dizer "me acompanhe". Estou contigo, Rô, de mãos dadas ou não, sempre entrelaçadas. Beijos, adorei o blog, vou conferir mais e mais.
ResponderExcluirRodrigo,
ResponderExcluirparece que o curso de jornalismo cultural, ao contrário do que imaginava, vai servir para acabar com meu bloqueio de escrita. Desde 2007 não escrevo nada. Escrevi alguma coisa no grupo do Museu Lasar Segall, mas não o frequento mais e não escrevo mais. Voltei a escrever na aula de sábado e fiquei feliz. Não perdi a mão. Não escrevo grande coisa, mas gosto de escrever e nem esse prazer eu tinha mais. Lendo esse seu texto das mãos, fiquei com vontade de escrever alguma coisa. Eu estava precisando de motivação. Obrigada.
Silvana