quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Duas pra lá, duas pra cá

A partir da identificação com um animal deveríamos escrever uma história com o bicho em questão. Veja o que rendeu, super baseado em fatos reais (risos)

O bichano cinzento mira a ambos com garras nada amistosas. Em meio aos seus miados círculos entre os livros de história e filosofia de um, de poesia e literatura marginal do outro. No caminho encontra Rimbaud, Fernando Pessoa, Hilda Hilst, Glauco Mattoso, nem se importa. Aqueles grandes olhos de desespero têm dois protagonistas, o casal, seis anos depois, final de relacionamento. CDs, angústias, roupas, saudades, sorrisos, lágrimas e escova de dente já haviam sido despachados em caixas de papelão emprestadas pelo dono do mercadinho. O destino: um caminhão velho com placa de Catanduva, 400 km da capital. “Como vamos fazer com esse gato filho da puta”, esbravejou o mais alto e sem barba. “Filho da puta? Eles cortam minhas bolas, me privam do cio de uma fêmea dengosa, se arriscam em um relacionamento aberto e eu quem sou filho da puta?”, reflete o gato em um típico dia de cão. Ocupados em dividir a coleção de clássicos do Fellini, a disputa era ferrenha por La Nave Vá e Oito e Meio, pouca atenção foi dada à trajetória sinuosa do pequeno Pandoro, que arranhava levemente as fotos de Paraty, Petrópolis, Natal e Ano Novo. O rabo, antes em riste, forma um sinal de interrogação. A buzina escandalosa avisa que é hora da partida.

2 comentários:

  1. Estou presencialmente (e temporariamente) afastada do curso, mas online não me falta disposição para interagir com os bons! Parabéns pelo novo blog! As letrinhas, as referências e os textos de sempre dão vontade de ler ;) Até, Carol

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  2. Pobre, Simão. Após a separação, o gato ganhou um novo lar e muitos quilos, não é? Nem o bichano saiu ileso de uma ruptura como essa, quem dirá os protagonistas,os familiares, os amigos, (...). Ainda bem que todos temos sete vidas, ou mais...

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