sábado, 19 de setembro de 2009

Continuar é preciso

Com uma apropriação descarada do imenso Fernando Pessoa inicio meu novo blog. O anterior "Benjamin" era muito pomposo e totalmente desatualizado. Com o início do curso de Criação Literária, em agosto deste ano, se havia uma fuga desesperada da escrita, nas últimas semanas o encantamento pelas letras retomou com uma deliciosa violência. Corrigi o relapso com as palavras, voltei a me enamorar pelas vogais e consoantes. Após o início da oficina literária, percebi finalmente assumi que era um escritor pedinte nesse programador cultural que deseja ser ator-diretor de cinema-roteirista-modelo, etc (risos). O reencontro com as frases, os diálogos em meu novo teclado, naquele em que ainda não consigo encontrar o ponto de interrogação (sempre acreditei nas ironias do destino e da ortografia) me forçam a adentrar em outros universos inexplorados (o inconsistente comanda minhas primeiras tentativas literárias). Essa é uma das razões da criação deste blog e nem é a principal. Volto a repetir que nada é definitivo quando se fala com um canceriano, jornalista desencantado, escritor em gestação, talvez um dramaturgo, um cronista, um roteirista, um contista, um atrapalhado tateando um lugar, uma escolha, um detalhe. Para além do exercício textual, do delete do que parece inconveniente ou do que não pode ser público, existe a necessidade urgente de me expressar, de me sentir tocado com energias tão díspares, com o carinho virtual dos amigos. Sou um carente assumido, daqueles com carteirinha e participação ativa no sindicato da categoria. Contudo, um alerta importante: deixarei os dedos e a mente livres nesses raros momentos de tentativas de autoconhecimento. Perdoe-me a nova regra ortográfica, vou tentar segui-la, mas ela não aprisionará meus pensamentos. Mesmo diante da carência revelada, não tenho grandes preocupações se serei lido ou comentado, mas claro que seria interessante. Sou uma pessoa de contradições, outra confissão que já antecipo. Poética do nãoser já dá seus primeiros passos no campo da ambiguidade, a negação muitas vezes me parece a melhor forma de nascimento ou de renascimento (gosto dessa ideia, acordar é começar do zero). Isso serve para a conexão com as diversas linguagens artísticas e cotidianas, da vida nossa do dia a dia: (cinema - o encanto arrebatador -, teatro – o impacto presenciado, artes plásticas – a dor e a cor reunidas), amor (esse vício fascinante), família e amigos (necessários e queridos), profissão, existência e resistência. Certamente causarei alguns curtos-circuitos e choques de alta tensão em minhas reflexões e textos, muitos deles provocativos. Choques, desde que abaixo de 120 volts, podem tirar da letargia e alterar a apatia. Ok, última confissão: aprecio rimas!

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